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Showing posts from February, 2026

Drogas e crise

 (publicado originalmente a 13.07.12)   A Europa vai cruzar um período de recessão económica com um estado de adaptação a uma nova realidade toxicofílica. No início deste século, a cocaína e esse grande saco que são as drogas de síntese ( como os media as designam) implantaram-se  numa parte do continente. Na parte ocidental do continente, já que a as ex-repúblicas soviéticas são toda outra história com as suas rotas da heroína afegã do Pamir. Pertencem, no entanto, a uma Europa que ainda comporta uma zona intermédia - os ex-satélites soviéticos romenos, polacos, búlgaros etc - que ostenta traços específicos; por exemplo, imensos laboratórios para as diversas experiências com base em anfetaminas.   O que sabemos do passado é que as variações do clima económico arrastam consequências interessantes para a cultura da droga. Nos EUA, entre 1960 e 1970, o produto nacional bruto duplicou. Muito dinheiro foi injectado na War on Poverty estimulando um mercado pa...

Do Aleixo à Pasteleira

  ( publicado originalmente a 04.07.12) Para não estarmos sempre de volta das grandes histórias e dos  grandes espaços, um exemplo local: a transferência do tráfico do bairro do Aleixo para outras zonas do Porto. Nesta peça podem constatar o início do processo e nesta podem  confirmar a evolução do mesmo . O mercado de droga, pela sua natureza ilícita,  é altamente adaptável.Não existem contratos, rendas legais, impostos,  trespasses ou marcas registadas. Existem, claro, pagamentos e comissões consoante  as conquistas  dos pontos de venda, mas é tudo fluído e undercover . Os consumidores não seleccionam os fornecedores em função de uns repuxos no átrio ou de cartões  de pontos e são indiferentes à decoração ou às facilidades de estacionamento ( aqui é no parking, just business ). Quando um autarca decide demolir um bairro que é ...

The French Connection ( I)

  ( publicado originalmente a  01.07.12) Em 1946, o nosso Lucky Luciano, como já vimos, um sobrevivente da bela experiência que  foi a Lei Seca, é posto em liberdade por pressão dos serviços secretos  americanos. Deportado para Itália, inicia, como também já  referi,   a melhor rede de tráfico de heroína  dos anos 50-60. Do Líbano  e da Turquia, a heroína chegava a Palermo, dava umas voltinhas pela Europa e desembarcava em Cuba ( já tínhamos visto isto também). Em Havana, Santo Trafficante , em rede com Meyer Lansky, embala  a droga para Nova Iorque. Ora bem, anotem  mais uma preciosa  colaboração dos EUA ( os líderes da war on drugs) para o sucesso do narcotráfico mundial. Falta perceber o que foi,  então,  a French Connection. Os laboratórios sicilianos (  também já vimos em posts anteriores),...

Canabis: falsa fé

  (publicado originalmente a 29.06.12) "Prohibition has two effects: on one hand it raises supplier costs, disrupts market functioning and prevents open promotion of the product; on the other, it sacrifices the authorities’ ability to tax transactions and regulate operation of the market, product characteristics and promotional activity of suppliers. The cannabis prevalence rates  show clearly that prohibition has failed to prevent widespread use of the drug and leaves open the possibility that it might be easier to control the harmful use of cannabis by regulation of a legal market than to control illicit consumption under prohibition. The contrast between the general welcome for tobacco regulation (including bans on smoking in public places) and the deep suspicion of prohibition policy on cannabis is striking and suggests that a middle course of legalised b...

Novidades

  ( publicado originalmente a 26.06.12) Já saiu o relatório anual do UNODC . Primeira impressão: tudo estável ( tanto pior para 100 anos  de war on drugs ), mais produção de  ópio no Afeganistão, mudanças e desvios  complexos nos  padrões de produção e consumo de diversas substâncias. Calhando, daremos  alguma atenção ao mercado das anfetaminas. Depois, como sempre, números estranhos. Em 2009 foram apreendidas em Portugal 2,7 toneladas de cocaína ( base e cristais), enquanto que na Noruega apenas 61 quilos. Seja como for, se se tiver mantido  a regra do 1/3, quer dizer que passaram por Portugal 7,1 toneladas de cocaína.