A antiquíssima tradição portuguesa do narcotráfico
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A 19 de Agosto de 1512, o junco S.João largou de Malaca rumo a Pegu, tendo descarregado no porto de Maratabão. Levava 964kg de anfião, vendeu 771kg. Dois anos depois, o mesmo navio, a mesma rota: vendeu 786 dos 918 kg que trazia a bordo. Este é, provavelmente, o mais antigo registo da nossa prática de comerciantes de droga ( Luis Filipe Thomaz, De Ceuta a Timor, Difel 1998). A palavra portuguesa da altura para designar o ópio, anfião, deriva da adpatação chinesa ya-pien que por sua vez é a atrdução do termo árabe afuyun ou afyun. V.M. Godinho discorda num detalhe: a tradução chinesa de afyun não é ya-pen mas afuyong.
Em Macau, a partir de 1790, foi estabelcido em mesa de vereação que as viúvas e orfãos tivessem lugar assegurado no investimento lucrativo que o tráfico do ópio proporcionava; este tráfico também beneficiava, de forma institucional, o Senado, as ordens religiosas e as caixas de santos ( Angela Guimarães, Uma relação especial; Macau e as relações Luso-Cinesas 1780-1844, Ed CIES, 1996).
Dezenas de outros exemplos e várias secções temporais podiam aqui ser alinhavadas. Uma área que me interessa, mas que só poderia ser estudada em full time, seria, por exemplo, a rede de abstecimento de liamba aos militares portugueses durante a guerra colonial. Interessa porque tenho a leve impressão, digamos assim, de que parte dessa rede foi instrumental no boom de heroína a partir do início do decénio de 80. Muito sumo haveria a extrair...
Tradição, espírito mercantil, localização geográfica. A santíssima trindade da nossa vocação hoje renovada e com pontos de apoio notáveis.
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